{"id":986,"date":"2020-06-05T08:13:01","date_gmt":"2020-06-05T11:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gustavoadolfo.com.br\/portal\/?p=986"},"modified":"2020-06-05T08:13:01","modified_gmt":"2020-06-05T11:13:01","slug":"vai-passar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gustavoadolfo.com.br\/saocristovao\/2020\/06\/05\/vai-passar\/","title":{"rendered":"\u201cVai passar\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA pandemia do coronav\u00edrus vai passar!\u201d Temos ouvido muito essa frase, dita por v\u00e1rios atores sociais. No entanto, precisamos admitir que a pandemia est\u00e1 demorando mais do que n\u00f3s imagin\u00e1vamos para passar. Estamos ficando ansiosos, impacientes e irritados. Ainda n\u00e3o vislumbramos uma data de retorno das atividades presenciais. Mais do que isso, estamos nos perguntando: \u201cComo vai ser esse retorno?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1985, no Acre, Alto Rio Purus, fui com um grupo de aproximadamente 15 ind\u00edgenas, do povo Kulina, \u201cMadij\u00e1\u201d, na l\u00edngua deles, para extrair o l\u00e1tex da seringueira nativa, mat\u00e9ria prima para fazer a borracha que tamb\u00e9m usamos em nossos pneus. Subimos um trecho do rio de canoa. Depois, adentramos na mata e caminhamos durante dois dias, at\u00e9 chegarmos naquela coloca\u00e7\u00e3o de seringa, como se diz na regi\u00e3o. Ficamos perto de quinze dias por l\u00e1. Est\u00e1vamos cercados por uma mata alta e densa. Nosso horizonte era curto. Era poss\u00edvel ver o c\u00e9u pela pequena clareira aberta pelo nosso acampamento. Est\u00e1vamos afastados de tudo e de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o deu pra aguentar, pois tudo era novidade. Conforme o tempo passava, eu ficava cada vez mais angustiado. Precisava de perspectiva, de horizonte. J\u00e1 n\u00e3o aguentava mais olhar para aquele urubu rei, que sempre vinha pousar naquele mesmo galho da \u00e1rvore que ficava em frente ao acampamento. Ali, o c\u00e9u parecia pequeno demais. Era preciso ter nascido e vivido numa aldeia, para poder dar conta daquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois daqueles quinze dias de afastamento geogr\u00e1fico e social, come\u00e7amos a viagem de retorno \u00e0 aldeia, carregados de l\u00e1tex. Foram outros dois dias, a p\u00e9, pela mata, at\u00e9 chegarmos \u00e0s margens do Rio Purus. O c\u00e9u ficou maior, o horizonte mais amplo, e eu mais calmo, menos ansioso. Aproveitei cada curva de rio que revelava margens mais largas e retas maiores. N\u00e3o apenas o c\u00e9u parecia maior, mas tamb\u00e9m o sol mais intenso, com o aux\u00edlio do espelho d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento atual, estamos precisando de perspectivas, de horizontes, para as nossas atividades. Estamos ansiosos. Queremos voltar para as ruas, pra\u00e7as e igrejas. E vamos voltar, mesmo que demore mais um pouco. N\u00e3o estamos acostumados a essa situa\u00e7\u00e3o de distanciamento social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos aprender a ter a paci\u00eancia de J\u00f3, que perdeu tudo na vida, mas n\u00e3o desistiu dela. Ou a dos sonhadores, que sabem que os horizontes s\u00e3o maiores do que a nossa vista pode alcan\u00e7ar, e se alargam cada vez que damos um passo na sua dire\u00e7\u00e3o. Cada curva do rio revela novos encantos. Enquanto aguardamos o retorno das atividades, sigamos o conselho do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cN\u00e3o nos cansemos de fazer o bem. Pois, se n\u00e3o desanimarmos, chegar\u00e1 o tempo certo em que faremos a colheita.\u201d (G\u00e1latas 6.9)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pastor Luis Henrique Sievers<\/p>\n<p>Maio de 2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA pandemia do coronav\u00edrus vai passar!\u201d Temos ouvido muito essa frase, dita por v\u00e1rios atores sociais. No entanto, precisamos admitir que a pandemia est\u00e1 demorando mais do que n\u00f3s imagin\u00e1vamos para passar. Estamos ficando ansiosos, impacientes e irritados. Ainda n\u00e3o vislumbramos uma data de retorno das atividades presenciais. 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